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What If – Emilie Autumn

Adoro essa música. Ela fala exatamente sobre quem somos realmente, alguém que as pessoas com quem convivemos jamais imagina. E se … início de pergunta que origina várias outras ou cala muitos discursos.

Ella e a Harpia

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Ella não conseguia ver a besta que todos viam ao olhar para ela. Ela era linda e sexy. Era estranho mas existia uma atração inexplicável entre as duas. 

– Eu posso ter o homem que eu quiser,pensou, mas eu quero Ela. Esse tipo de pensamento era rotineiro. Ela sonhava em se largar nos braços da Harpia e voar sem destino, ser aquecida embaixo de suas asas, deleitar-se com seus beijos durante horas e não ter que voltar para lugar nenhum. Ela podia ser uma harpia mas era a criatura mais bela que os olhos de Ella já viram em todo seu tempo de vida.

Era fogo, luxúria, curiosidade, fascínio, paixão; tudo junto e misturado. Para Ella não existia amanhã, existia apenas os dias em que passava com a Harpia. Era um amor correspondido e de mesma temperatura. Uma morreria pela outra se preciso fosse, mas a única preocupação agora era aproveitar os segundos em que podiam estar juntas. Poderiam passar semanas, meses e anos, mas Ella sabia que jamais amaria alguém como amava aquela Harpia e que sem ela seus dias jamais seriam felizes. A Harpia se sentia o mais afortunado dos seres pois sabia que sua aparência causava repulsa nas pessoas e não conseguia entender como Ella podia enxergar seu interior e amá-la daquele jeito. Mas ela sabia que amava Ella mais que a própria vida e que a protegeria de qualquer coisa. E as duas seguiam vivendo esse amor perfeitamente estranho até o dia em que uma delas não pudesse mais voar.

                                                             Izabelita Costa Carvalho

Sparkling

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Sparkling era uma fada muita diferente das outras. Ela não era narcisista; se achava normal. Ela era esperta, inteligente, companheira, dedicada; era a amiga perfeita, a companhia mais agradável que se pode ter. As outras fadas riam de Sparkling porque ela era tímida e passava o tempo todo escondida entre as folhas ouvindo os mais velhos conversarem e contar histórias sobre os lugares por onde passaram, as batalhas que travaram e enquanto ouvia suas histórias a mente de Sparkling viajava. Ela se imaginava grande e lutando, ou cavalgando, ou mesmo correndo entre os rios. E Sparkling ficava triste pois ela não tinha nada de especial como as outras fadas, sua grande diferença era que ela era muito mais inteligentes que todas as outras. 

Certo dia super revoltada com sua condição ela resolveu conversar com a rainha das fadas novamente e tentar convencê-la de que seria melhor que ela partisse dali:

– Não sei porque não me deixa ir embora, eu não tenho nada de especial como vocês. A rainha que a observava com tranquilidade apenas respondeu.

– Todos os seres tem algo de especial. Basta ter paciência e descobrir o que é.

– Eu não deixo nuvem de coisa nenhuma quando voo e não tenho voz melodiosa pra acalmar o coração da floresta, nem beleza estonteante pra hipnotizar animais e seres nenhum.Como eu posso ser especial? Não acredito nem que eu seja uma fada. Ao dizer essas palavras Sparkling caiu em um choro sentido que cortava o coração de todos os seres que ali viviam. E aquela noite foi escura.

A medida que o tempo passava e a tristeza de Sparkling aumentava a floresta ficava mais escura e triste, as flores estavam desbotadas e murchando, as noite estava fria, os animais não apareciam mais e a rainha ficou preocupada. Quando percebeu que Sparkling não havia melhorado e chorava a uma semana sem parar decidiu visitar a fada.

– Sparkling por favor não chore mais. Você está matando a floresta e a todos nós. Ao ouvir a rainha o choro de Sparkling sumiu e ela encarou a soberana assustada.

– Como eu posso estar matando a floresta e a vocês se eu não faço nada para ajudar no equilíbrio? Com um sorriso iluminado e os olhos rasos de água a rainha apenas disse.

– Porque você parou de brilhar! Esse é o seu dom, você brilha e ilumina a floresta Sparkling. Você não percebe porque ao cair da noite você está exausta e adormece tão rapidamente que não consegue se ver cintilando. Assim você dá vida as flores e aquece a noite. 

Sparkling não podia acreditar que ela fazia tudo isso enquanto dormia. Mas ficou tão feliz que soltou uma gargalhada e quase que de imediato a floresta inteira se iluminou e as flores ganharam vida, os animais apareceram em instantes, as fadas voltaram a cantar e a dançar e tudo voltou ao seu normal. Sparkling aprendeu que nem sempre reconhecemos a nossa verdadeira vocação, a tarefa que nos foi destinado a cumprir mesmo antes de nascermos e daquele dia em diante ela foi preenchida por uma felicidade tão intensa que nunca mais deixou de cintilar.

                                                                                      Izabelita Costa Carvalho